O que des-seria do teatro. Um ponto e vírgula.

Este duplo, que possui origem no mesmo ponto, contudo se diferencia infinitamente em sua face de vírgula. O que é a interpretação? Esta encenação de si que representa sua nudez na verdade mais extrema. Utiliza-se a máscara para retirá-la. Interpreta-se para se interpretar. O ator só é todo verdadeiro no seu duplo. Seu instante único de existência. Sua liberdade de escolha, intérprete da sua escolha de liberdade. Todo ator possui a consciência de tinta fora do palco, só alcançando a condição de escrita quando em-cena. É possível a interpretação em outros palcos e teatros. Como dizia Artaud, o cinema puro é um erro. Assim como o teatro.
Há como atuar-se em outros artes.
Mas é preciso interpretar-se fora deste mis-en-scene. É preciso atuar-se como um todo.
O teatro e seu duplo.

O duplo no teatro....O que é o duplo quando se sente a palavra?

Uma reta constituídas de duas letras em uma margem, duas letras na margem oposta e uma poesia no meio do caminho onde vagabundamente passeia a possibilidade de poesia. Mas ao passar por este duplo e compreender esta possibilidade poética das artes, Artaud, constituído pela unidade da desconstrução racional da palavra sentindo, a sentiu, a interpretou, desenhando em seu corpo de artesão as possibilidades de estar no caminho e poder seguir em qualquer direção sobre os sentidos das artes. O teatro sobre esta poesia destituída de corpo e órgão encontra a morte, pois apenas há sentido em morrer para suicidar-se em vida pela arte.

Cristina Pinheiro e André Scucato