HISTÓRIA DO NOSSO CINEMA DE POESIA
O trabalho inicial do Cinema de Poesia começou com Três Tons Sobre o Poema de um Pintor, realizado em fevereiro de 2004. Nas filmagens, o subjetivo era fazer com que a câmera realizasse o mesmo movimento de um pincel e que o produto final na edição retratasse o conceito da obra do artista Morvan Brandão. Cada quadro seu era composto de múltiplas imagens e texturas. Três Tons Sobre o Poema de um Pintor reúne música, pintura e poesia. ?Depois deste poema inaugural mais um trabalho foi realizado: The Play, parte de um Reality show de teatro contemporâneo, unindo teatro, poesia e música e artes plásticas nesta peça criada pelo diretor teatral Alan Castelo.
Em julho, a atriz e diretora Cristina Pinheiro uniu-se ao Cinema de Poesia. Parceria indispensável tanto na estrutura teórica quanto prática. Juntos produzimos o primeiro trabalho da série "Poeta", o Jardim, criado na cidade de Vila Velha - Espírito Santo. Na mesma época surgiu o verbo no cinema de poesia, com o filme Carregando - em fase de produção - documentário poético sobre o ato de carregar, tendo os diversos estados do Brasil como cenário. Ainda em julho começou a pesquisa para um curta sobre o poeta Antonin Artaud traçando paralelos com o pintor Van Gogh.
Em setembro e outubro foi o início da elaboração do Dicionário Fílmico de Figuras de Linguagem, com os curtas Metonímico e Prosopopéia. Este trabalho recria no cinema um dicionário audiovisual das figuras de linguagem da literatura.
Outra parceria em outubro, com o ator carioca Rômulo Pacheco, após a realização de um curta foi convidado a ser o Artaud do nosso curta Antonin Van Artaud Gogh, que mostra a arte e a vida dos artistas Antonin Artaud e Van Gogh.
No dia 31 de dezembro, com a morte do professor Chico Elia, que muito ensinou sobre arte, filosofia, cinema e vida, teve início a produção de uma homenagem, com Réquiem de um Poeta, o primeiro média-metragem do Cinema de Poesia. Baseada no estudo da obra de Carlinda Brandão, pintora expressionista. Réquiem pode ser considerado um poema sem órgãos no cinema, baseado nos estudos da obra de Antonin Artaud. A primeira parte finalizada em janeiro com 17 minutos.
Em 2005 o primeiro curta realizado em Minas Gerais foi o Trem do Poeta, quando Três Tons Sobre o Poema de um Pintor foi selecionado no Festival de Tiradentes. Ao voltar desta cidade para o Rio de Janeiro, no ponto de ônibus, foi encontrado Fernando Campos, o Van Gogh do nosso curta.
Em março, no início da edição da segunda parte do Réquiem, surgiu o Crisantemo, série de poemas parnasianos dedicados a Cristina Pinheiro. Pouco depois viajamos para Tiradentes à procura de locações e tomadas de algumas cenas de Antonin Van Artaud Gogh. Na semana em que passamos na cidade, o curta transformou-se em um média-metragem. No último dia de filmagem, devido aos estudos de roteiro e material captado o que era inicialmente um curta de cinco minutos transformou-se em um longa-metragem.
Depois destas filmagens surgiram mais duas novas figuras de linguagem, a antítese e sinestesia. Cabe ressaltar a hospitalidade e generosidade de toda equipe do Hospício de Barbacena.
A equipe do Cinema de Poesia contava agora com um poeta, uma atriz e diretora de teatro, um pintor e um ator. Pouco depois, em abril, juntou-se a nós João Gabriel Herculano, talentoso músico e pianista, que compôs a trilha de abertura do Cinema de Poesia, a música para o Elevador Capítulo II e III e Trilha sonora do nosso primeiro longa-metragem, Antonin Van Artaud Gogh.
Em junho, após estudos sobre a obra cinematográfica, textos e vida do artista Jean Cocteau, foi composta no piano a primeira trilha Sonora de Cristina Pinheiro e André Scucato para o documentário Je Suis Jean Cocteau, atendendo ao convite de Sérgio Britto para a exibição em seu programa na TVE, Arte com Sérgio Britto.
Em julho de 2005 foi finalizado o Réquiem de um Poeta, o primeiro media-metragem do Cinema de Poesia com duração de 55 minutos, sobre a obra da pintora Carlinda Brandão em memoria a Chico Elias e Morvan Brandão.
Em julho, após participar do X Festival de Cinema Universitário e compreender que poucas pessoas entendiam a essência de nosso cinema, foi criado a série Pleonasmo Vicioso, mostrando as imagens brutas da série poetas sem qualquer manipulação por computador, objetivando mostrar como a dança e a caligrafia no momento da captação das imagens podem produzir imagens próximas a pinturas.
Em julho, continuando a parceria com o diretor Alan Castelo o Cinema de Poesia recebeu um convite para realizar um video cenário de 55 minutos, composto de 15 curtas-metragens. O desafio foi produzir cada curta com um conceito distino de produção e de escala tonal, seguindo a identidade das cartas de Tarot, no qual foram baseadas. Esta multi-ópera-eletrônica estreiou no dia 07 de outubro, em São Paulo.
Em outubro começaram as gravações do longa metragem Antonin Van Artaud Gogh no teatro Casarão Soberanos, graças ao apoio de Victor Vaughan, diretor da companhia teatral. Tem início uma nova parceria com o princípio do Cinema de Poesia que " a sua arte ajuda a fazer a nossa" filmamos as peças "Sonhos de uma noite de verão" e "Muito barulho por nada" de Willian Shakespeare, realizamos o curta-metragem Príamo e Tisbe, adaptado para a linguagem cinematográfica e Roque Santeiro, de Dias Gomes.
Vale ressaltar que no ano de 2005 tivemos o prazer de adaptar a peça Autópsia, do diretor Renato Carrera para o Cinema. Devido a produção do longa, a finalização deste trabalho foi adiada para 2006.
Nas filmagens do longa-metragem em outubro, além do apoio da Companhia Os Soberanos, contamos com a parceria de Giba de Oliveira, excelente iluminador que contribuiu imensamente para a fotografia e linguagem que queríamos imprimir no filme. Contamos com o apoio da Art Light, ajuda indispensável para conseguir montar toda a iluminação necessária.
Após 20 dias de filmagens no Casarão Soberanos, partimos para cidade de Tiradentes, onde encontramos Fernando Campos. Agradecemos a empresa de Transportes Paraíbuna que cedeu as passagens do Rio de Janeiro para Tiradentes e de Tiradentes para o Rio de Janeiro.
Teve início o processo de filmagens de Van Gogh, dias inesquecíveis onde pudemos fazer, pensar e produzir arte sem nos preocuparmos com mais nada. Nesta etapa contamos com a contribuição do pintor André Brandão, que reproduziu algumas obras de Van Gogh.
Em dezembro chega em Tiradentes o ator João Bosco, convidado para interpretar o Artaud na fase final de sua vida.
Atualmente estamos dedicando todo o tempo para a produção do longa, que conta com a participação especial de Victor Fraga, Buza Ferraz e Sérgio Britto. Com efeitos sonoros e composição de uma música, temos o prazer de contar com a valorosa e essencial contribuição dos músicos Alexandre Elias e Flávia Costa.
Dezembro de 2005
Artísticamente
Cristina Pinheiro e André Scucato
Artisticamente
André Scucato e Cristina Pinheiro
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